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Pessoas que queremos que você conheça....

...afinal, nosso entorno é cheio de possibilidades!

Envolver-se em projetos comunitários, participando ativamente no empoderamento dos indivíduos: é assim que a professora Andréia Fernanda Silva Iocca, doutora em Engenharia e Tecnologia de Alimentos, norteia sua relação com a sociedade. Paulistana de nascimento e mato-grossense por escolha, conta abaixo como atua para fazer essa diferença.


Você viveu em várias cidades, sempre envolvida com a comunidade. Como o Mato Grosso passou a fazer parte de sua vida?

Aos quatro anos de idade me mudei para o estado; já morei em diversas cidades daqui, e agora resido em Campo Novo do Parecis, onde sou professora no Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT).


Costumo dizer que o Mato Grosso não é o fim do mundo, mas sim o início. Todo o trabalho que desenvolvo aqui busca melhorar a qualidade de vida das pessoas pela educação para uma alimentação saudável, segura e equilibrada.


Você está envolvida com a Semana do Bebê, Semana da Mulher e é membro do Conselho Gestor Institucional. Como essas participações ocorrem?

Primeiramente, gostaria de dizer, com orgulho, que a Semana do Bebê agora é lei na cidade. Após conhecermos alguns membros da Secretaria de Saúde, realizamos palestras sobre alimentação saudável para mães, tratando especialmente de obesidade infantil e alimentos industrializados.


Infelizmente, as camadas menos favorecidas da população tendem a comer menos alimentos saudáveis, e procuramos minimizar essa situação educando as famílias.


A criação do Conselho se deu por meio de decreto do Ministério das Cidades, em 2012; ele é composto por membros da sociedade civil, e durante as pré-conferências setoriais (bairros e entidades) fui uma das voluntárias. A população participou em um número considerável (mais de 200 pessoas) da conferência, ocorrida em 2013, na qual grupos foram criados. Cada um deveria discutir um tema relativo ao desenvolvimento da cidade. Ao final, uma sugestão de cada tema foi escolhida e enviada para a Conferência Estadual da Cidade, em Cuiabá. Os 10 temas prioritários para o estado foram enviados para a Conferência Nacional, que utilizou essas prioridades para compor planos diretores com os Estados e Municípios. Assim, todos os temas enviados alicerçaram pautas na agenda do poder público municipal.


Essa participação toda fez com que eu entendesse melhor os trâmites e processos da Prefeitura. Hoje, participo do Conselho da Mulher da cidade e do comitê do Selo UNICEF. Recentemente enviamos à instituição um projeto que busca melhorar as condições de vida infanto-juvenis no Semiárido e Amazônia Brasileira. Fomos aprovados, e entre 2013 e 2016 desenvolvemos ações em prol da infância e juventude do município.


Como você vê essa necessidade de participação popular nos assuntos públicos?

A participação popular é fundamental. Procuro envolver nossos alunos do IFMT em tudo o que for importante para o desenvolvimento da cidade. Eles são extremamente interessados, querem fazer parte de todos os projetos. Por exemplo, com a ajuda deles mantemos uma horta comunitária numa escola do município. Ela fornece alimentos saudáveis para os alunos nas três refeições do dia, e seu excedente é levado por eles para casa. Atualmente, 1400 pessoas são atendidas por essa iniciativa.


Engajar o indivíduo é um desafio; a colaboração pontual não é suficiente para que os projetos se desenvolvam plenamente. O que acontece, na prática, é que muitas vezes as mesmas pessoas acabam se envolvendo. A isso se agrava o fato de que a população carente espera que continuemos prestando o serviço, não se importando tanto com a própria autonomia.


Mas a comunidade é aberta a mudanças. Eu não esmoreço. Apesar de normalmente obter êxito, quero sempre mais participação popular. Não importa a origem da pessoa ou suas condições; o que importa é como ela pode contribuir com a sociedade em que vive. Meu papel aqui é apenas levar a informação a elas para que se tornem agentes.


A participação popular está intimamente associada às melhoras na comunidade?

Independentemente de questões políticas, as pessoas têm o poder nas mãos. Falta entender a plenitude desse poder. Como o sujeito se posiciona frente a suas escolhas, onde ele pretende chegar com suas ações. Esse é o princípio do empoderamento – saber que a escolha por uma sociedade melhor está em nossas mãos.


Como sua história pessoal está relacionada a esse interesse pelo desenvolvimento comunitário?

O que sou e como me coloco diante das situações vividas é fruto do que aprendi com minha família.

Meus avós, mãe e tios eram pobres. Moravam em uma favela de São Paulo e sobreviviam do que coletavam do lixo e de trabalho braçal. Eles poderiam ter escolhido outros caminhos que pareciam mais fáceis à época, mas optaram pelo que julgavam ser o correto: o estudo e o trabalho. Depois de muito esforço e sacrifício, tornaram-se professores, transformadores e formadores de opinião. Mesmo em condições desumanas minha família se desenvolveu com ética, respeito e amor.


Minha mãe trouxe esse planejamento de vida para nosso núcleo familiar. Criou e educou 5 filhos praticamente sozinha e com muito amor, sempre seguindo um objetivo de longo prazo: proporcionar ao mundo cidadãos éticos e que saibam fazer boas escolhas, análogo ao que busco despertar nas pessoas. Sei que muitos não conseguem, por não terem condições semelhantes. Por isso, procuro ajudá-los.


Isso faz parte de mim; enquanto puder, vou batalhar para que outros percebam a capacidade de escolha que possuem.


Você acredita no crescimento da participação popular na construção do futuro? O Brasil acompanha esse crescimento?

Creio que estamos bem atrasados com relação a outros países, sim. Mas sempre é tempo de recomeçar, de repensar, de planejar.


O consenso acerca do bem comum aqui é fundamental. Mesmo que não caminhemos rápido, devemos ir juntos para frente.


Para saber mais sobre a lei que institui o Conselho da Cidade, clique aqui.

Entrevista realizada por Renato Mobaid.


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